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Conta-se a
história que um sujeito fabricou o primeiro
carro, e um outro construiu o segundo para poder
apostar uma corrida com ele, e foi assim que
começou a febre, a paixão, e o fascínio pelas
máquinas cada vez mais velozes. Porém,
oficialmente a primeira grande corrida ocorreu
em julho de 1894, num percurso entre Paris e
Rouen, e a vitória foi dividida entre Albert de
Dion e Lemaitre, esse pilotando um Peugeot.
A
chamada "Era dos Pioneiros" pode ser estendida
até 1914, onde carros pesados, porém já bastante
potentes, corriam em circuitos muitas vezes
poeirentos, e sempre perigosos. A mesma Peugeot
dividia as glórias com a Mercedes.
Nessa época as
corridas eram realizadas num formato de Grand
Prix, organizadas pelos Automóveis Clubes
espalhados pelo mundo.
Nos anos da I
Guerra Mundial (1914-1918), as corridas param de
acontecer, e voltam com força na década de 20,
quando as grandes competidoras são - além da
Mercedes - FIAT, Alfa Romeo e Bugatti. E os
pilotos que mais se destacaram foram Nazzaro,
Campari, e Antonio Ascari (pai de Alberto Ascari).
Em 1933, Hitler
chega ao poder na Alemanha, e lança um programa
de incentivo aos construtores de carros, o
intuito era fazer a propaganda da superioridade
da engenharia e tecnologia alemã. Com isso, a
Mercedes começou a construir carros absurdamente
superiores, com velocidades superiores a 320
km/h, de 1935 a 1937 seus motores chegaram a
desenvolver 646 cv, somando-se a tudo isso,
havia o sensacional piloto
Rudolf
Caracciola, o primeiro dito "mestre da chuva",
em virtude do alto grau de habilidade em pilotar
no piso molhado. Nesse período os carros eram
equipados com motores dianteiros, os Auto Union
foram os primeiros carros de motor traseiro, e o
homem que melhor domava essas máquinas era Tazio
Nuvolari, piloto franzino, porém que se tornava
um gigante na pista, e diziam seus adversários,
tinha feito um pacto com o diabo, tamanha era
sua capacidade de superar desafios, numa época
em que os pilotos usavam como proteção apenas
uma toca na cabeça e um óculos protetor,
parecendo até um nadador pilotando carros; e os
circuitos eram tão seguros, que muitos pilotos
morreram chocando-se em árvores e cercas. Nessa
época os pilotos eram, além de velozes,
extremamente corajosos, acidentes fatais eram
comuns, e mesmo assim eles permaneciam rápidos,
a segurança em si, só seria realmente debatida
décadas depois, para esses "loucos",
aparentemente, o que importava apenas, eram os
louros da vitória, Nuvolari venceu 49 Grandes
Prêmios, correndo sempre no limite.
Então começa a II
Guerra Mundial (1939-1945), e as corridas são
interrompidas novamente, só retornando em
setembro de 1945. O esporte a motor na Europa,
além de renascer, caminharia em direção à
organização. Em 1946 a Association
Internationale des Automobiles Clubs Reconnuns (AIACR),
que já existia desde 1904, com sede em Paris,
troca de nome, e passa a se chamar
Federation
Internationale de l'Automobile (FIA), começa-se
a idealizar um campeonato para reaquecer as
disputas automobilísticas. Finalmente um
regulamento seria criado para acompanhar o
avanço tecnológico que haviam alcançado. As
corridas de Grand Prix disputadas aleatoriamente
seriam organizadas pela FIA, e ao final do ano,
teriam um verdadeiro campeão. Pilotos dos tempos
do pré-guerra, como Giuseppe Farina e Luigi
Fagiolli, juntavam-se a Juan Manuel Fangio e
Alberto Ascari, estrelas ascendentes do
pós-guerra, nas disputas na pista, e a idéia era
justamente essa, como os carros que competiam
eram do pré-guerra, os pilotos tinham mais
chances de atrair a atenção do público, o
espetáculo valorizaria o talento do homem, tanto
que o mundial de construtores só passaria a
existir em 1958. Em 1949, a Alfa Romeo que vinha
dominando as corridas após a guerra, abandona as
competições, e só retornaria em 1950 percebendo
a importância daquele momento.
Então, empolgados
com o sucesso do campeonato mundial de
motociclismo, lançado em 1949, pela Federation
Internationale Motorcycliste (FIM), a FIA copiou
o esqu ema
e deu inicio em 1950 ao primeiro Campeonato
Mundial de Fórmula 1, chegou a ser cogitado o
nome Fórmula A, mas não pegou. O termo mundial
era para demonstrar as ambições propostas, mas
perderia valor, já que só havia corridas na
Europa, com isso, as 500 Milhas de Indianápolis,
ocorrida nos Estados Unidos, contariam pontos
para o campeonato. Competiriam carros sem limite
de peso, de 4,5 ou 1,5 litros para que o grid
pudesse conter carros esporte com motores
adaptados, essa não era a melhor fórmula de
Grande Prêmio, nem na época, mas, era o que as
condições permitiam, e os organizadores foram
moderados, reconhecendo suas limitações, em
tempos de recuperação industrial que vivia a
Europa. A pontuação seria no esquema (8, 6, 4, 3
e 2 pontos, mais 1 ponto para a volta mais
rápida).
Em 13 de maio de 1950, num sábado, para não
atrapalhar os cultos religiosos, alinharam-se
para a primeira prova válida pelo campeonato, em
Silvertone, Inglaterra, os precursores de uma
categoria que a cada ano apaixonaria e atrairia
multidões. Num dia ensolarado de primavera, o
Rei George VI e a Rainha Elizabeth compareceram
junto à cerca de 100.000 pessoas ao evento,
muita gente, na bagunça, entrou sem pagar.
Na pista, Juan
Manoel Fangio, seguia na frente, desde a
largada, mas abandonou com problemas no motor de
sua Alfa Romeo 158, a oito voltas do final,
deixando a vitória para seu companheiro de
equipe o italiano Giuseppe Farina.
Dizem os antigos,
que não foi lá uma corrida muito boa não, a Alfa
Romeo tinha total e absoluto controle, sem
nenhuma adversária ao nível, seus pilotos
seguiam praticamente em fila indiana, de modo
que não havia disputas por posições, mas foi a
primeira corrida, e o espetáculo estava apenas
começando. |